Emigrante Vem Devagar - agora em Lisboa...

Quarta-feira, Novembro 02, 2005

Um mundo de canais e bicicletas






Acordei estremunhado com o balanço do avião, e com os olhos ainda meio cerrados vi o que me pareceu um anjo de cabelo louro sorrir. Depois apareceu outro ... e outro... reparei então que todas vestiam de azul tinham uma placa com o dístico KLM...

Mais tarde desci do avião, dirigi-me às informações e perguntei como poderia chegar ao meu hotel. Em vez de me apontarem um fila de táxis onde gordos de bigode esperam pacientemente a sua vez para enganar os viajantes, indicaram-me antes uma paragem, onde de quinze e quinze minutos passa uma carrinha para fazer a ponte entre hotel e aeroporto.

Nos dias seguintes pude comprovar a pontualidade dos transportes públicos, perder-me num cenário de contos composto de ruas, casas, canais e muitos, muitos ciclistas. Tomar um capuccino num café junto ao colorido mercado de flores que pude apreciar a partir de uma vitrine gigantesca. Fazer o passeio de barco da praxe pelos canais, assistir a três jogos em simultâneo num pub onde holandeses e ingleses competiam por fazer mais ruído. Ver o sol a brilhar sobre as águas dos canais de manhã, e sentir um cheirinho do frio de inverno da europa do norte à noite.

Visitar uma sinagoga construída pelos judeus exilados portugueses, a praça Daam, o museu Van Gogh, o Rijksmuseum, fábricas de tratamento de diamantes, ver comércio tradicional em vez das montanhas de betão a que chamamos de centros comerciais. E por falar em comércio, encontrei vários vendedores ambulantes de Coca-Cola que tinham uma forma muito estranha de abordar os clientes, sussurando-lhes "Hei, psttt, do you want coke?" Aliás, pensando bem, essa parte da cidade era estranha porque apesar do frio as mulheres vinham em lingerie para a janela, sorriam piscavam-me o olho quando passava... Enfim, gente simpática...

Uma nota final para o civismo com que vi carros, motas, elétricos e ciclistas conviverem harmoniosamente em apertadas ruas. Um sítio onde podemos ver um pai ou uma mãe transportar filhos pequenos numa bicicleta com a da fotografia, ou ver o eléctrico abrandar para o ciclista passar. Amesterdão é diferente até nestes pequenos pormenores da vida...