Emigrante Vem Devagar - agora em Lisboa...

Terça-feira, Janeiro 24, 2006

A firme resposta francesa

Há apenas uns dias Jacques Chirac disse algo extremamente importante, mas que curiosamente não teve grande impacto na nossa imprensa. Suponho que televisões e jornais lhe teriam dado mais relevância caso se tratasse de algum escândalo que envolvesse a filha ilegítima de uma amante, ou do anúncio de um casamento real em Espanha...

O presidente francês numa curta intervenção disse simplesmente que a França admite utilizar uma resposta convencional, ou nuclear contra países que "patrocinem" atentados terroristas contra alvos franceses... e a propósito de quê? Aparentemente a propósito de nada, e é isso mesmo que nos deve preocupar. Os serviços de inteligência franceses são reconhecidamente os melhores no combate ao terrorismo, e parece-me que uma vez mais estão um passo à frente de todos os outros. Anda alguma coisa "na calha"... e os franceses sabem-no.

O que Jacques Chirac deixou entre linhas foi que o mundo não se deve surpreender se um dia destes uma Teerão ou uma Argel desaparecerem do mapa umas horas depois de algum atentado em França... Esta gente não brinca em serviço, como bem pudemos ver no Haiti...

Sexta-feira, Dezembro 30, 2005

Milagre de Natal

É sempre assim, o Natal surge como uma época na qual o melhor de nós aflora e voltamos a acreditar na bondade humana e a ter esperança no próximo. Embriagado por esse néctar natalício que nos leva a acreditar que o défice diminuirá daqui a três anos, que o SLB ganhará a Champions ou que Canas de Senhorim será elevada a Concelho... lá tentei ver um episódio daquela novela Morangos Doces ou Acúcar nos Morangos ou... ou algo assim.

Depois de vinte sete minutos em que assisti a vinte e oito cenas de sexo, um bando de "jovens" de piercing e cabelos espetados que diziam "ya meu" entre cada duas palavras a fazerem uma colecta para acabarem com a fome no mundo, uma adolescente a apaixonar-se por um professor e uma rapariga rica e mimada vestida de mãe Natal a discutir com a avó em pleno centro comercial porque esta não a compreendia.... digamos que vacilei.

Durante umas poucas horas senti toda a esperança esvair-se do meu ser. De repente percebi que havia fortes possibilidade de o SLB não conseguir eliminar o Liverpool... foi então... que por uma rasgo de sorte recebi um convite para ver um filme. Lá fui assistir ao "O Crime do Padre Amaro"....

Boa banda sonora, fotografia muito razoável, uma boa história de Eça de Queiroz com intrigas, humor, sexo e um final trágico bem à portuguesa. Mas sobretudo umas belas interpretações que me fizeram esquecer aqueles diálogos insonsos praticados por pseudo-actores de novela. Operou-se em mim o verdadeiro milagre de Natal... e até voltei a acreditar que a Champions será nossa...

Sexta-feira, Dezembro 09, 2005

O grande desafio

Parar... Parar para reflectir. Parar para olhar à volta. Parar para perceber se o caminho que se está a tomar é o que verdadeiramente se pretende. Parar para perceber se gostamos de quem somos em relação ao que éramos há meia-dúzia de anos atrás. Parar para entender se gostaremos do que nos vamos tornar na próxima meia-dúzia de anos...

Nas auto-estradas da "vida moderna" estamos habituados a pensar que podemos ler os sinais à distância sem necessidade de abrandar. Mas nem todas as direccções podem ser tomadas dessa forma, e de tempos a tempos encontramos encruzilhadas que nos obrigam a... efectivamente parar... parar e tomar o tempo necessário para decidir a direcção a seguir. Quer cheguemos a estas encruzilhadas por opção própria ou porque as circunstâncias o ditam, o importante é aprender com o que decidimos anteriormente para fazermos uma opção mais acertada desta vez...

As prioridades alteram-se com o tempo e por vezes escapa-nos que o que ontem era mais importante, hoje pode assumir um papel secundário. Aprender a valorizar o que é fundamental para construirmos um futuro que nos traga a tal felicidade que todos procuramos, é eventualmente o desafio mais complexo com o qual nos podemos deparar. Um processo que está sujeito a um conjunto de opções acertadas intercaladas com verdadeiras "cabeçadas na parede". É o contrato que temos com a vida, começamos do zero e para chegarmos onde pretendemos só há um caminho... aprender...

Domingo, Dezembro 04, 2005

Eles vêm aí...

"A semana passada a impresa internacional descobriu que a CIA tem prisões secretas em países do leste europeu, onde presumivelmente leva a cabo interrogatórios ilegais que desrespeitam os direitos humanos."

Sinceramente não entendo qual é a novidade. Desde 1995, ano em que assisti ao "Rambo II" pela primeira vez (das 67 que a televisão passou esse filme), eu próprio tive a percepção de que esta agência desenvolvia actividade ilegais. Mas que no entanto se destinavam a proteger os habitante do eixo-do-bem, numa tentativa desesperada de combater o mal com as suas próprias armas. Isto porque como bem sabemos os tribunais e as leis internacionais nem sempre permitem que se leve a justiça aos malandros que há por esse mundo fora. Patifes esses que normalmente se vestem mal, vivem em casas nas quais uma ratazana do 1º mundo com um mínimo de dignidade rejeitaria de bom grado, falam numa língua estranha o pior de tudo... são maus vizinhos, porque temos de construir muros com kilómetros de extensão para evitar problemas com estes criminosos.

Ora, vestir mal também se veste o meu vizinho da frente, mas não fala árabe, porque se assim fosse já me tinha bufado e ele agora estava algures num bunker desactivado da 2ª Guerra Mundia nos arredores de Varsóvia, com o Chuck Norris a perguntar-lhe onde estão as ogivas nucleares...

A conclusão óbvia a retirar disto é que a imprensa mais uma vez está um passo atrás em relação ao meu clube de vídeo. Algo que considero ser uma situação preocupante porque desconfio que só lá para meados de 2006 é que os noticiários vão difundir que os marcianos se estão a preparar para nos atacar em força. Algo que não constitui novidade para quem este verão viu no cinema "A Guerra dos Mundos"...

Sexta-feira, Dezembro 02, 2005

O último Catão



Para quem gostou do Código Da Vinci aqui está uma excelente opção para esta época festiva. Parece mentira que Pai Natal tenha demorado dois anos para disponibilizar este romance histórico nas nossas livrarias. Agora que a D. Quixote Ficções apostou neste livro já não devem tardar muito em editar a restante obra de Matilde Asensi. Se assim acontecer não percam o Salão de Âmbar, tem um personagem português bastante interessante...

Quinta-feira, Novembro 24, 2005

Passos de dança


O cartaz à entrada não deixava dúvidas... o momento tinha chegado. Sem saber muito bem o que me esperava deixei o cartão de sócio na entrada e subi os degraus das escadas que levam ao salão de baile. O professor terminava a aula e ao redor da pista, casais e grupos de alunas conversavam animadamente enquanto esboçavam passos de dança. Senti uma dor de barriga própria dos nervos... quando me pareceu oportuno abordei o professor e expliquei-lhe que tinha um novo aluno. Assim começou a minha primeira aula de danças de salão.

Timidamente entrei na pista, o professor exemplificava os passos e os alunos procuravam imitá-lo. Meio desiquilibrado consegui terminar a primeira série de exercícios. Nessa altura o professor interrompeu a aula e teve a bondade de me explicar "Marco! Deste lado por favor!" Corei dos pés à cabeça quando percebi que estava a fazer o exercício no lado das mulheres, quando naturalmente deverias estar com todos os meus colegas do outro lado da pista. Envergonhado lá me dirigi para junto dos outros alunos enquanto ouvia um burburinho de comentários na ponta da pista que deixava atrás de mim...

Com um começo assim só podia correr melhor de aí em diante, e de facto correu e tem continuado a melhorar de aula para aula. Não sei quando aprenderei a dançar, mas o primeiro passo para o conseguir está dado...

Terça-feira, Novembro 22, 2005

Occam e a sua navalha

Que diriam se vos telefonassem a dizer que poderiam diminuir a vossa conta de telemóvel uns 25%? Seguramente pensariam que era uma amigo ou uma amiga no outro lado da linha não é verdade? Mas... e se o vosso interlocutor fosse um funcionário da operadora de telecomunicações a dizer em jeito de Jorge Gabriel "Queremos que poupe 25% na sua conta telefónica!"... Bem... então... o mais provável... é mesmo ser mentira não é? Porque na realidade o que está a dizer é "Queremos perder 25% do que facturamos mensalmente consigo", e as operadoras de telecomunicações não vivem disso.
Foi essa a conlusão a que cheguei e por isso respondi que não estava interessado. Do outro lado da linha fez-se silêncio, e uma voz meio engasgada repetiu com um tom de exaltação:

Sr. Marco Nuno Ferreira, não pretende diminuir em 25% a sua conta mensal de telemóvel??!?!?"
...
Não.
...
Mas olhe que pelas nossas contas pode diminuir uns oito euros em relação ao que paga agora. Não está interessado?
...
Não.
...
E pronto, depois dos agradecimento pela atenção lá desligou o telefone e digitou o número de telemóvel do próximo otário na sua lista...

É que nestas coisas ninguém dá nada a ninguém, portanto porquê perder tempo a ouvir um palerma que nos tenta enganar com um mega-tarifário, ou com uma suposta prenda que poderemos levantar na agência de viagens do centro comercial mais próximo? Já todos sabemos onde isso nos leva. Nada como seguir a solução mais simples que é desligar o telemóvel, tal como nos sugere o princípio da navalha de Occam.